Tenho medo, sabes?
Não da tempestade que vai lá fora, não do vento que tudo derruba, nem da trovoada que o céu fractura. Não me assustam os uívos sinistros que orquestram esta noite agitada nem as sombras que parecem espiar-me pela janela.
Não me incomoda o frio que sinto neste quarto gelado, nem me perturba o copo partido bem em frente à minha cama. Caiu... Não pude evitar....
Também não pude evitar o que sinto por ti...
Vieste... E contigo trouxeste a maior das tempestades, chuvas torrenciais, ventos cortantes, trovoadas rompantes...
Trouxeste até à minha cabeça os uívos de quem anseia mais e mais. Trouxeste até as sombras da incerteza e da insanidade. Trouxeste contigo o dom da felicidade mas , também, o da crueldade.Crueldade! Sim, crueldade!
A forma cruel como atacaste meu coração e enfeitiçaste o meu pensamento. Não se faz!
Fracturaste toda a lógica... Já nem consigo pensar.
Não consigo desligar da minha cabeça os orgãos tocando funebres melodia ao meu intelecto.
Parece que tomaste toda a minha capacidade de escolher.
Pára!!!
Não pares... Gosto do alento que me trazes. Do calor que sinto quando estás perto. Da tranquilidade e da cor esperança dos teus olhos. Gosto... Gosto...
O meu pensamento é que não. Mas qual pensamento?
Esse parece já ter fugido! Ele bem me avisou! Não quero saber...
Gosto de ti, sabes?
E sabes porque tenho medo?
tenho medo que nao sintas o mesmo...
Tenho medo que vejas o mesmo em mim que eu vejo em ti...
Invejo-te, sabes?
Mesmo não sabendo, torturas-me dia e noite.
Vem ter comigo!
Dancemos à chuva!
Não quero que esta tempestade acabe...
Quero apenas uma raio de sol.
Vem... Tracemos juntos o nosso arco-íris...

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